Sorrisos eram evidentes. Pessoas que caminhavam alegres, comunicativas e colaborativas. Se olhavam, se cumprimentavam, falavam e ouviam com atenção. Não eram capazes de julgar. Simplesmente aceitavam as coisas como são.
Aquele voo trazia tudo que a vida pode oferecer de melhor: a luz, a natureza, todos os seres como iguais. Sim, somente ali conseguia sentir a liberdade. A certeza de que tudo faz sentido, que somos um único ponto de energia interligado à todas as forças. Em nenhum outro lugar fora capaz de sentir-me tão bem.
- Filho da Puta, anda com essa porra desse carro!!
Acordo em sobressalto. Vejo que meu cobertor velho está ainda mais rasgado. O chão frio e sujo do viaduto fede. Muitas pessoas em volta, moradoras de rua, como eu. O lixo se alastra assim como nós. Se é que existe alguma diferença entre nós e o lixo. Olho para a realidade sem ter como fugir, mas com a certeza de que, dentro da minha consciência, tudo é possível. O espírito é livre. E o estado de liberdade natural possível. Para todos.
Fato: Uma mulher dormindo na rua, com um cobertor rasgado, embaixo do viaduto, sorrindo.
História: "sonho", escrita por uma observadora, dias depois
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