- Eu não pensavaaaaa te amar dessse jeituuuuuuuuuuuu...
Enquanto Guilherme Arantes cantava seus versos longos, com aquela empolgação de costume, o clima era tenso. Afinal, é só uma vez na vida que a gente tem a primeira filha.
"Será que está dando tudo certo?", pensava o pai apreensivo sentado na sala de espera, onde a única coisa que o acalmava, era aquela música, que até então ele achava super chata, mas que a partir daquele momento, se tornaria uma música importante da sua vida.
Dentro da sala do hospital, a mãe fazia força para aquela criança nascer. Ela nem imaginava, que do outro lado da porta do quarto tocava Guilherme Arantes. E nem pensava no pai apreensivo. Só, em fazer a sua filha nascer.
Finalmente, depois de horas, a criança nasce. Emocionada, a mãe pergunta ao médico:
- Ela é perfeita, doutor?
- Não...(silêncio) ...faltam os dentes - responde.
Ufa! Por um mílessímo de segundo a mãe entra em desespero ao imaginar a filha com problemas. Nasceu perfeita no momento mais sublime de toda nossa passagem. O nascimento da vida.
A mãe sentiu uma confusão emocional, um misto de amor completo, com muito medo de não saber como cuidar daquele "ser" tão pequeno.
Depois de alguns dias, já se sentia mais preparada a encarar sua missão de mãe. Atenciosa e criando habilidades, a mãe vestia a filha com muito cuidado e atenção. Até que percebeu um buraquinho ao lado da orelha da filha. Faltaram algumas células, quem sabe, para que ela fosse perfeita.
Talvez o médico tivesse razão em dizer que ela não era perfeita. Será que a vida em algum momento é mesmo perfeita?
Talvez o médico tivesse razão em dizer que ela não era perfeita. Será que a vida em algum momento é mesmo perfeita?
Fato: O nascimento de Angélica contado por seus pais. A música que tocava, a pergunta ao médico, o buraquinho ao lado da orelha.
História: "nascimento", escrita por uma observadora, anos depois.
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