A menina de 5 anos sai da escola louca para contar todos os detalhes do seu dia. A mãe, atenciosa, lhe pergunta:
- Filha, o que é isso no seu cabelo?
- Eu pintei de rosa, mamãe.
- E todas as suas amigas também pintaram?
- Sim. A Janaína fez três rabinhos e pintou de verde. A Mônica fez duas tranças e pintou de azul, e eu também fiz rabinhos, igual a Janaína, mas pintei de rosa.
Por um instante, a mãe se preocupou com a tinta no cabelo da filha. Seria tóxica? Será que sai só com o shampoo? Mas preferiu não criticar a menina.
- Mamãe, amanhã nós vamos fazer uma nova brincadeira...
- Você não quer vir de shorts, neste calor?
- Não, mamãe, prefiro uma saia.
A menina já entendia sua feminilidade. Além dos cabelos rosas, queria usar saias, brincos e colares. Se sentia uma mulher. Não queria parecer menino e muito menos ficar perto deles.
A mãe, cuidadosa, gostava de respeitar as opiniões da filha. Pensava que ainda conseguiria vestir a filha como quissesse. Mas não. A geração de hoje cresce bem mais rápido. Com 5 anos, sua filha já era "fashion" e pintava o cabelo de rosa na escola.
Mas a mãe se preocupava um pouco. Será que a filha não vai aproveitar a infância? Será que já está tomada pelo consumismo e pela moda? Como impedir essa evolução tão rápida? Na época da mãe, não tinha como discutir que roupa usar com 5 anos. Usava a que tinha. Muito menos se pintava o cabelo de rosa. O máximo dos máximos era conseguir dormir na casa de uma amiga.
Todas estas inquietações passavam pela cabeça da mãe.
- Mãe, você está me ouvindo?
A mãe volta a olhar a filha e responde que sim. Neste instante, a menina abre um sorriso. A alegria da criança contagia a mãe e a tranquiliza. O que mais importa, além desse sorriso sincero e puro, esse olhar curioso de descoberta do mundo e a cumplicidade com que a filha lhe conta seu dia? Será que mais alguma coisa importa?
Fato: uma menina sai da escola, de cabelo rosa, contando seu dia para a mãe
História: "mãe", escrita por uma observadora dias depois