sábado, 19 de setembro de 2015

lei da rua, vida de mulher

A regra da rua é a regra de Exu. Sobrevive quem é forte, sai quem tem juízo e fortaleza interior, fica quem não luta.

- Eu quero saber do meu dinheiro que está aí no seu bolso.

A fala vitoriosa é da mulher de botas de salto, meia calça matadoura, jaqueta de onçinha, cara de menina moça e papo de mulher de vida. Os olhos vermelhos comprovam que a noite foi boa e longa. Os homens trabalhadores atentos e sedentos escutam com atenção os dizeres da moça. E ela com toda pompa do mundo, se coloca em primeiro plano.

Se afirma veementemente como quem conhece bem a lei da rua e a malandragem. Terminou a noite bem e com dinheiro no bolso. Em um lugar sem regras e sem destino, a cena transcorreu na minha frente em menos de um minuto e me pegou.

O rosto era de menina da roça, com traços finos e sardinha. Era bonita e tinha bom gosto. Parecia feliz e cansada. Será que ela faz isso porque gosta, porque precisa ou para sustentar algum vício?

Quantas meninas moças estão na rua se vendendo para ter dinheiro no bolso? Mulheres da noite no meio do caos e só elas mesmas para contar o que passam. E será que em algum momento da história foi diferente? Escravas negras e índias estupradas por homens brancos, meninas e sertanejas se prostituindo para sobreviver, adolescentes de favelas sendo mulher de malandro, mulheres no Centro da cidade ganhando a vida, sustentando vícios e se distanciando cada vez mais das relações humanas. Algumas engravidam e trazem mais uma vida para o mundão, sem que haja muita esperança.

Porque nós, mulheres, ainda sofremos tanta violência no mundo? Como sobreviver e não se entregar ao machismo?

Fato: Possível prostituta contando vantagem nas ruas do Centro.

História: "lei da rua, vida de mulher", escrita por uma observadora dias depois

07/11/2013

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